Névoa

O que hoje esconde a beleza
das tuas águas e me impede
de ver aquilo que sou?

Sei que não sou a névoa e sou
chamado a ser  o próprio
mar, a revelar a beleza
que há em ti.

Hoje não te vejo,
não me vejo,
sei que não são revoltas
as minhas ondas, sei
não que não é rebeldia
minha cegueira.

A névoa encobre e ofusca,
retira de mim a tua imagem
e semelhança, a névoa é o
meu irresoluto, incerto,
oculto e deserto.

O vento é ainda desorientado,
o mar agitado, porém é em ti
que sou, é em ti que devo me
descobrir.

Há de chegar o sol do novo dia,
há de chegar a esperança,
a alegria, a vida nova, a maresia.

Há de chegar o vento norte,
o vento do espírito, sempre certo,
para orientar, tornar descoberto,
explícita a beleza das águas,
Vem depressa, não tarde, vem
Senhor em meu auxílio, dissipar do
mar que sou, a névoa.

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