Ressurreição (05.11.14)

Se já no pântano submergido,
recebo hoje uma nova
chance de ser reerguido,
recebo a mão que se estende
e me livra do lamaçal.

Recebo o carinho,
o cuidado, o amor terno
e  esponsal,
recebo vestes novas,
vejo apontada a direção,
o caminho.
Sou limpo, sou consolado,
sou livre, ou melhor,  libertado.
E então caminho,
não mais sozinho,
não mais submergido,
amedrontado e acanhado.
Vou contigo, com os meus,
trocando o pântano por solo sagrado.
Consagro os pés vacilantes
que agora seguros caminham,
te peço pés consagrados.

Consagro os alicerces
inconsistentes que sobre ti
não se ergueram,
te peço uma vida
fundamentada em ti,
te peço e novamente
me consagro.

Estendo minha mão e
mesmo com medo
e inseguro,
posso te encontrar.

Estendo minha mão
e mesmo à beira do abismo,
recebo muitas outras já estendidas,
que não me permitem
fazer deste momento uma despedida,
De novo amparado,
me ponho no caminho,
continuo a confiar,
não vejo o fim,
mas recomeço, ressurreição.

Postagens mais visitadas