Interior

Vazio de mim,
livre de todo o tormento,
sacio minha fome
tendo-te como meu alimento.

Vazio de mim
e longe da solidão,
sinto-me mais leve,
posso agora por
meus pés na missão.

Aonde poderia descansar eu,
senão no teu coração?
Qual a minha força
senão a oração?

Rompes minha timidez e
me chamas a voar mais alto,
não consigo mensurar o quão
alto seria...

Como eu não tendo asas voaria?
Talvez as asas que
tenho seja meu
irmão, o vento a sua
fraterna comunhão.

Posso ser tolo
e pensar ser  poderoso um
gavião, posso ser ingênuo,
reprimido e em muitas faces
e disfarces, me fazer
camaleão.

Posso ser uma simples alga e
pensar que sou tubarão,
posso ainda ser inflado,
peixe-boi, cheio de
espinhos e defesas.

Ou mesmo indefeso passarinho,
desabrigado de seu ninho,
um pequeno ou grande peixe,
uma mera alga, uma mera alma.

Um pobre disfarçado,
um humilde assoberbado,
um avarento, bonito por fora
e podre por dentro.

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